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Sexta-feira, 11 agosto de 2006   edições anteriores
CADERNO 2
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  Para lembrar a arte do Divino Ademir da Guia

Documentário do diretor Penna Filho revê a carreira do ídolo do Palmeiras

Luiz Zanin Oricchio

Ademir da Guia foi o maior ídolo do Palmeiras. Vestiu a camisa do Verdão 901 vezes, marcou 153 gols e ganhou estátua no Parque Antártica. Era hora de receber também a homenagem de um filme. E essa hora chegou com Um Craque Chamado Divino, do diretor Penna Filho, que estréia hoje em São Paulo.

No filme, a carreira de Ademir é relembrada através de lances de jogo e também de depoimentos. As falas de colegas e jornalistas não poderiam ser mais elogiosas. Todos são unânimes em dizer que Ademir foi excepcional. Jornalistas como Fiori Gigliotti e Juca Kfouri e jogadores como Dudu, Sócrates, Gérson e César Maluco recordam a classe, o domínio do meio-de-campo, a elegância e a incomparável condução da bola, os grandes atributos do craque.

As cenas de partidas não são numerosas como se poderia desejar. Contemporâneo de Pelé, Ademir deixou muito menos cenas do que o Rei. Compreensível. Não foi goleador e, portanto, não protagonizou com freqüência esse instante que os locutores da antiga definiam como "o grande momento do futebol". Mas o que se vê é suficiente para convencer o mais incrédulo dos corintianos que Ademir foi mesmo um dos grandes craques de todos os tempos.

Para comparar: era um Zidane melhorado e nunca se soube que tenha dado cabeçada em um adversário. Pelo contrário: era sereno, discreto, um antipop star. Marcou época em seu time e brindou as torcidas com seu futebol de grande beleza e extrema regularidade. Como lembra o cronista Alberto Helena Jr., "Ademir nunca jogava mal." Por seu domínio completo do ritmo da partida, ganhou um poema com seu nome, assinado por ninguém menos que João Cabral de Melo Neto. Nele, João Cabral fala desse ritmo "que ata o adversário". A imposição do seu jogo era mesmo a maior característica desse grande meia-armador, que não teve as chances que merecia na seleção.

(SERVIÇO)Um Craque Chamado Divino (Brasill/2006, 81 min.) - Do-cumentário. Dir. Penna Filho. Livre. HSBC Belas Artes 5 - 15h50, 17h40, 19h30, 21h20. Cotação: Bom

   


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