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Julio Mesquita
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Domingo, 29 outubro de 2006   edições anteriores
ECONOMIA & NEGÓCIOS
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  Pela primeira vez em 20 anos, uma eleição sem crise econômica

Inflação alta e fragilidade externa foram superadas; risco País está no menor nível da história e saldo comercial é recorde

Leandro Modé

Diferentemente do que ocorreu nos últimos 20 anos, o candidato que vencer a eleição de hoje não terá de vestir um uniforme de bombeiro para apagar incêndios na área econômica. Ele comandará um país com indicadores macroeconômicos de fazer inveja aos antecessores que ocuparam o cargo após o processo de redemocratização do País, na década de 80.

José Sarney assumiu a Presidência da República em março de 1985, um pouco antes da morte de Tancredo Neves. Topou com uma inflação anual de 215% - o porcentual refere-se ao Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulado no ano anterior. Para se ter uma idéia, esse mesmo indicador deve encerrar 2006 um pouco abaixo de 3%.

Ainda na seara dos índices de preços, a tarefa de Fernando Collor de Mello foi mais ingrata. Em 1989, ano em que foi eleito (sua posse ocorreu em 15 de março de 1990), o IPCA anual atingiu inacreditáveis 1.972%! A história a partir daí é conhecida de todos. Seu governo congelou os depósitos bancários - à vista e a prazo - justamente para combater a inflação.

Graças ao Plano Real, Fernando Henrique Cardoso deparou-se com problemas diferentes, mas não menos importantes. Em 1994, a América Latina era chacoalhada pela crise do México, que fez os investidores internacionais correrem da região. Em 31 de dezembro daquele ano, um dia antes de FHC tomar posse, o chamado risco Brasil, medido pelo banco de investimentos americano JP Morgan, estava em 923 pontos.

Isso significa que o País, naquele momento, pagava 9,23 pontos porcentuais a mais que os Estados Unidos para obter crédito na praça. Os títulos do governo americano são usados como referência para esse indicador. Hoje, o risco Brasil oscila na casa dos 215 pontos.

Outro desafio de FHC era consolidar o Plano Real, lançado seis meses antes. Os índices de preços despencavam, mas, àquela altura, muitos apostavam que voltariam a subir.

O período que precedeu a reeleição do peessedebista foi bem mais complicado. O mundo havia passado por diversas crises internacionais - com destaque para a da Ásia e a da Rússia -, o real estava supervalorizado e a balança comercial de 1998 registrava déficit de US$ 6,5 bilhões.

A pressão pela desvalorização da moeda brasileira era forte e acabou ocorrendo no início do segundo mandato de FHC. Hoje, o câmbio flutua, o dólar está estável em cerca de R$ 2,15 e a balança comercial deve alcançar superávit de aproximadamente US$ 45 bilhões.

Em 2002, a possibilidade de o então candidato Lula ser eleito presidente, somada à fragilidades macroeconômicas do País, provocou um enorme incêndio. O dólar disparou para a casa de R$ 4, a inflação medida pelo IPCA superava os 12% e o risco país em 31 de dezembro, um dia antes de Lula assumir o Palácio do Planalto, estava em 1.446 pontos.

   


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