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YouTube leva jovens diretores ao estrelato
Videos de garoto de Brasília já tiveram 1 milhão de acessos no site
Sérgio Duran
Ter perfil no Orkut já não é tão divertido. A onda, agora, é colocar links no site de relacionamentos que remetam ao YouTube, no qual é possível exibir vídeos de confissões íntimas ou “superproduções” de fundo de quintal. Desde que surgiu, há 18 meses, o YouTube virou febre entre jovens videomakers amadores brasileiros, como ocorre fora do País.
O estudante de cursinho Guilherme Zaiden, de 18 anos, virou celebridade na internet em quatro meses. Filho de funcionários do Banco Central, Zaiden é um jovem tímido com uma vida pacata em Guará, cidade-satélite do Distrito Federal.
Com uma máquina fotográfica digital que grava trechos de 40 segundos e um computador “pré-histórico”, ele se transformou em um comediante numa série de oito vídeos, que somam 1 milhão de visualizações no YouTube. Duas produções - Confissões de um Emo e Pastor Cerafim - foram vistas por 300 mil pessoas cada uma, público maior que o de vários filmes brasileiros. Desde julho, quando estreou no YouTube, a vida de Zaiden nunca mais foi a mesma. “As pessoas me param no shopping para perguntar se sou o cara do vídeo. Às vezes, sinto que sou observado.”
Na produção À Psicóloga, o adolescente reclama da perseguição da mãe: “A bicha é louca”, diz, de olhos esbugalhados, e recebe um conselho prático: “Grave um vídeo”. Seria uma criação autobiográfica? “Não”, responde Zaiden. “Faço os vídeos para me divertir mesmo.”
O garoto admite que gostou da fama. Os dois perfis que mantinha no Orkut lotaram com cerca de 2 mil amigos. Em quatro meses, surgiram nove comunidades com 10 mil participantes virtuais, todas homenageando o adolescente. Uma delas chama-se Guilherme Zaiden, o Artista, a outra, Guilherme Zaiden no Jô, espécie de abaixo-assinado virtual pedindo que Jô Soares o entreviste.
Os e-mails enviados de várias partes do País e os comentários também impressionaram Felipe Eduardo de Carvalho, de 22, que mora na Vila Maria, zona norte de São Paulo, e trabalha no setor de Controle de Qualidade da TAM. Há quatro anos, ele grava produções caseiras para se divertir. No ano passado, comprou uma câmera digital e começou a mexer no software Adobe Premier, para editar arquivos em vídeo.
Em pouco tempo, surgia no YouTube a produtora Dark Hole e produções como A Corrida pela P..., estrelada por uma prostituta na rua. O seu, digamos, processo criativo é baseado no improviso. “Reúno os amigos e as idéias surgem. Passamos, às vezes, um dia gravando.”
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