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CADERNO 2
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  Homenagem à melodia e à valsa brasileira

Músicos e cantores estarão a partir de hoje no Sesc Ipiranga, interpretando grandes sucessos do gênero no repertório da MPB

Adriana Del Ré

De valsa também se faz a música brasileira. Pelo menos entre autores eruditos e populares importantes, foram muitos os que não resistiram à tentação de flertar com o gênero. Estão aí Villa-Lobos, Carlos Gomes, Chiquinha Gonzaga, Edu Lobo, Chico Buarque, entre tantos outros, que não deixam mentir. Para reconstituir um pouco dessa presença elementar na história da nossa música, o Sesc Ipiranga apresenta entre hoje e domingo o projeto A Próxima Valsa.

Hoje, os convidados do projeto são o pianista e arranjador Nelson Ayres, a cantora Jane Duboc e o acordeonista Toninho Ferragutti. Amanhã, participam o violonista Chico Pinheiro e o cantor Renato Braz e, no domingo, o bandolinista Danilo Brito e o cantor Pery Ribeiro encerram juntos a programação.

Curador do projeto, Nelson Ayres diz ter deixado todos os convidados livres para escolher seu repertório. Pediu apenas a eles que mantivessem como norte a premissa básica: a valsa inserida na canção brasileira. As escolhas não foram aleatórias. Ayres pensou em nomes ligados a diferentes escolas e gerações da música, mas que tivessem algum tipo de ligação com o gênero, assim como ele próprio. 'A MPB sempre teve fama pela característica ritmicamente rica. Mas uma cara importante dela é a melodia.'

Segundo o pianista, a MPB possui todo um panorama melódico próprio, diferente, por exemplo, dos standards americanos ou mesmo da música italiana. E na valsa a melodia é dominante. 'A valsa tem uma riqueza melódica e deixa um pouco de lado a coisa rítmica.' E nossos compositores sabem bem fazer uma valsa, veja contemporaneidades como Beatriz, de Edu Lobo, e João e Maria, de Chico Buarque. 'Tom Jobim fez uma valsa melhor que a outra', atesta Ayres. 'São poucos os autores brasileiros que não manifestam amor pela valsa, desde Ernesto Nazareth e Chiquinha Gonzaga.'

Apreciador de valsas por influência da mãe que as cantava e tocava ao piano, Ayres chama atenção para uma peculiaridade da valsa no Brasil: nossos compositores não seguiram o modelo da valsa vienense. Acabaram criando um estilo muito próprio.

Na apresentação de hoje, ele, Jane Duboc e Ferragutti estarão no palco em diversas formações, seja em trio, dupla e solos. O repertório, já acertado pelo trio, inclui Sanfonema (de Ferragutti), Valsa Brasileira (de Chico e Edu), Sion (de Hermeto Paschoal), João e Maria (de Chico) e Esmeralda (de Filadelfo Nunes). Esta última faz parte do imaginário afetivo de Ayres. 'Minha mãe a tocava e foi a primeira valsa que me chamou a atenção.'

(SERVIÇO)
A Próxima Valsa. Teatro do Sesc Ipiranga (213 lug.). Rua Bom Pastor, 822. Hoje e amanhã, 21 h; dom., 20 h. R$ 9 aR$ 24. 3340-2000

   


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