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Terça-feira, 19 dezembro de 2006   edições anteriores
NACIONAL
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  Cresce onda de protestos contra aumento para congressistas

Homem se acorrenta no Senado e CUT vai às ruas recolher assinaturas

Começaram a pipocar ontem contestações públicas contra o aumento de 90,7% concedido aos congressistas na semana passada pelas Mesas da Câmara e do Senado. Em São Paulo, a Força Sindical e estudantes ligados à ONG Educafro fizeram manifestações no centro. Em Brasília, um aposentado se acorrentou a uma pilastra do Senado e nove mulheres de militares ocuparam a rampa do Congresso para demonstrar repúdio ao reajuste de R$ 12.847,20 para R$ 24.500.

O cientista político e funcionário público aposentado do Ipea Willian Carvalho, de 61 anos, se acorrentou a uma pilastra próxima ao gabinete do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Carvalho disse que o Brasil tem o parlamento mais caro do mundo e que precisava fazer alguma coisa em protesto contra o reajuste.

Foi levado ao Departamento de Polícia do Senado (Depol) sob acusação de desobediência e perturbação da ordem. Ainda acorrentado, Carvalho afirmou que não era baderneiro e repetiu que o reajuste era absurdo. 'Será que ninguém está vendo isso? Alguém está louco. E eu acho que não sou eu. Quis chamar os senhores parlamentares à razão.'

Liberado após prestar depoimento, Carvalho justificou sua iniciativa. 'Tem de puxar a orelha deles, para que ouçam o sentimento da população brasileira.'

Na rampa do Congresso, nove integrantes da União Nacional das Esposas de Militares das Forças Armadas reivindicavam com uma faixa aumento de 100% nos soldos dos militares. 'Nossos maridos ficam à disposição da Nação 24 horas por dia. Se os parlamentares têm reajuste, nós também queremos', disse Ivone Luzardo.

Aos gritos de 'roubo' e 'exploração', a Força Sindical fez sua manifestação no centro de São Paulo. O presidente da Força, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, tachou o aumento de 'vergonhoso', 'fruto de uma bandalheira' e chamou seus autores de 'malandros'. Eleito deputado, o pedetista disse que iria propor reajuste baseado no INPC aos presidentes da Câmara e do Senado - 23,33% nos últimos quatro anos.

Em frente à prefeitura, cerca de 50 estudantes protestaram. 'É vergonhoso. Mas, coitados, ganham tão pouco', ironizou Douglas Belchior.

Hoje a CUT coleta assinaturas contra o aumento no centro de São Paulo e o Sindicato dos Metalúrgicos inicia panfletagem em fábricas e nas ruas do ABC.

DENISE MADUEÑO, EUGÊNIA LOPES e RODRIGO PEREIRA

   


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