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  Chávez atropela empresas petrolíferas

Governo vai assumir, sem negociar com multinacionais, operação no Orinoco para cumprir meta de reduzir produção

Roberto Lameirinhas

O governo venezuelano vai assumir, sem negociar, o comando das operações de joint ventures com companhias petrolíferas estrangeiras no Rio Orinoco para forçar a imediata redução da produção e cumprir as metas de corte estabelecidas pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) em outubro de 2006. Embora o ministro da Energia e Petróleo, Rafael Ramírez - que acumula a função de presidente da estatal Petróleo de Venezuela (PDVSA) -, tenha pedido anteontem uma nova redução das exportações aos países da Opep, para frear a queda do preço do produto, a própria Venezuela não conseguiu cumprir a determinação.

Entre as empresas que operam as bacias no Orinoco estão as americanas Exxon-Mobil, Chevron e Conoco-Phillips, a francesa Total e a British Petroleum. Na semana passada, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, declarou que nacionalizaria as operações de petróleo no país, mas abriu a possibilidade de as companhias privadas estrangeiras permanecerem como sócias minoritárias.

A preocupação da Venezuela com a queda nos preços é crescente. Só de janeiro a setembro de 2006, o país recebeu US$ 43,6 bilhões com a venda do petróleo, segundo a PDVSA. A estimativa, em dezembro, era a de que a receita do produto se aproximaria dos US$ 60 bilhões no ano passado - quase seis vezes o PIB da Bolívia. Quando chegou ao poder, em 1998, Chávez encontrou o preço internacional do barril de petróleo a US$ 11,91.

Os petrodólares embalam a estratégia política do presidente venezuelano, que com eles financia seus programas assistenciais internos e busca ampliar sua influência no exterior. Em dezembro, quando foi reeleito para mais um mandato de sete anos - o terceiro desde que chegou ao poder -, a cotação do barril era de US$ 60,40, após meses de sucessivas altas. Ontem, no entanto, o preço do petróleo venezuelano oscilava na faixa dos US$ 50 o barril, ampliando o sinal de alerta no governo venezuelano.

A preocupação do regime chavista com a queda da cotação de sua principal fonte de receita justifica o empenho em buscar reduzir a produção venezuelana e pressionar os outros sócios da Opep a fazer o mesmo - propondo a convocação de uma reunião extraordinária dos países do cartel, à qual se opõe o maior exportador da organização, a Arábia Saudita.

Segundo analistas, porém, o poder de persuasão de Chávez nessa questão é limitado. 'A Opep resiste em abusar da política de cortes de produção, como quer Chávez, porque apesar de os preços subirem no curto prazo, com o tempo produtores independentes, como a Rússia e o México, tomam para si mercados que antes eram de países do cartel', disse ao Estado o economista venezuelano Asdrúbal Oliveros, da Ecoanalítica.

O tema marcou a série de recentes encontros entre Chávez e o líder de outro peso pesado da Opep, o presidente do Irã, Mahmud Ahmadinejad, que apóia um novo corte. Chávez tem se esforçado também para levar de volta à Opep o Equador, governado por seu aliado Rafael Correa.

O PESO DO PETRÓLEO

US$ 11,91 o barril
era a cotação em 1998, quando Chávez assumiu pela primeira vez

US$60,40
o barril era a cotação em dezembro de 2006, quando Chávez foi reeleito

US$ 50 o barril
era a faixa de preço ontem

US$ 60 bilhões
era a estimativa aproximada da receita da Venezuela com a venda de petróleo no ano passado - quase seis vezes o PIB da Bolívia

COLABOROU RUTH COSTAS

   


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