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Quarta-feira, 17 janeiro de 2007   edições anteriores
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  Manifestantes pró-Evo nomeiam governo paralelo em Cochabamba

30 mil ativistas concentrados na capital regional desconhecem governador da oposição e formam conselho ‘revolucionário’

LA PAZ

Duas grandes assembléias populares - uma de partidários do presidente boliviano, Evo Morales, em Cochabamba, e outra de opositores, em Santa Cruz - ampliavam ontem a tensão política na Bolívia e afastavam a possibilidade da abertura de um diálogo para a pacificação do país.

Em Cochabamba, 30 mil seguidores de Evo resolveram num cabildo (assembléia) na Praça de Armas, no centro da cidade, desconhecer o governador Manfred Reyes Villa, que faz oposição ao governo central. Os manifestantes nomearam à noite um “governo revolucionário” de quase 30 membros, que foram autorizados pelo Exército a entrar no edifício do governo de Cochabamba - mas, por causa da falta de energia elétrica no local, não puderam fazer a reunião que pretendiam. O “governo revolucionário” deve nomear hoje um governador paralelo. “Reyes Villa já não é governador e deve responder por seus atos contra a vontade popular”, disse o líder sindical Víctor Mitma.

Já em Santa Cruz, onde Reyes Villa está refugiado, o comitê cívico local, opositor de Evo, promoveu uma concentração para condenar a violência em Cochabamba e exigir negociações que permitam ao governador, eleito em 2005, reassumir seu posto. Reyes Villa é acusado pelo Movimento ao Socialismo (MAS), de Evo, de ter ordenado a repressão de um protesto contra ele na semana passada, na qual morreram 2 ativistas. A concentração de Santa Cruz ocorreu num bairro onde predominam partidários do MAS.

As manifestações em Cochabamba começaram depois de o governador ter anunciado que convocaria um novo referendo popular sobre a autonomia de sua região. Em julho, a opção pela autonomia foi derrotada em Cochabamba - forte reduto e berço político de Evo. Pressionado, depois de fugir para Santa Cruz, Reyes Villa anunciou que desistia do novo plebiscito.

Em outro foco de tensão, sindicatos de El Alto mantinham mobilizados ontem mais de 5 mil manifestantes para exigir a renúncia do governador de La Paz, Pedro Luis Paredes - outro desafeto de Evo -, que também propôs uma nova consulta popular sobre autonomia no departamento. Os ativistas deram na véspera um ultimato de 48 horas a Paredes, ameaçando intensificar o bloqueio de estradas e a tomada de edifícios públicos.

Em meio à crise, o principal partido de oposição a Evo, o Poder Democrático e Social, anunciou que apoiará na Constituinte a inclusão de um mecanismo que possibilite a revogação de mandatos de prefeitos, governadores e até do presidente.

Ainda ontem, a Suprema Corte declarou “em rebeldia” o ex-presidente Gonzalo Sánchez de Lozada, acusado de responsabilidade nos distúrbios de outubro de 2002, que deixaram 80 mortos. A declaração abre caminho para que seja pedida a prisão e extradição do ex-líder, que vive nos EUA.

EFE E AFP

   


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