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Venezuela é a nova meca dos 'sandalistas'
‘Socialismo do século 21’ de Chávez fomenta turismo de mochileiros, artistas e sindicalistas dos EUA e Europa
Para os céticos, eles são ingênuos seduzidos pela badalação que não reconheceriam uma tirania comunista se ela expropriasse suas sandálias. “Repulsivos pacifistas americanos e europeus, esquerdistas, malcheirosos, armados com o cartão de crédito da mamãe e sandálias de tira novinhas em folha”, segundo a revista de direita American Thinker. Para o governo venezuelano, eles são amigos que testemunham em primeira mão as mudanças positivas nas favelas e nos campos, e voltam para casa para espalhar a boa nova.
Conheçam os turistas revolucionários, uma onda de mochileiros, artistas, acadêmicos e políticos em missão para descobrir se o presidente Hugo Chávez está realmente forjando uma alternativa ao neoliberalismo e ao capitalismo. Eles são os sucessores dos chamados “sandalistas” que acorreram em bandos à Nicarágua governada pelos sandinistas nos anos 80 e para Cuba em décadas anteriores.
A Global Exchange, organização com sede em San Francisco, organizou viagens para quase 500 americanos em 2006, cinco vezes o número de 2003. Da Grã-Bretanha, a Venezuela Solidarity Campaign está planejando enviar pelo menos seis delegações este ano, na maioria sindicalistas. Os visitantes evitam as praias caribenhas, privilegiando excursões a cooperativas agrícolas, clínicas de saúde em favelas e programas de alfabetização de adultos. “É maravilhoso estar aqui. Há tanta vibração e paixão, há um sentimento de revolução”, disse Lucy Dale, 20 anos, de Chicago, após uma viagem de 17 dias. “Quero voltar para fazer trabalho voluntário.”
Celebridades como o ator Danny Glover e o cantor Harry Belafonte fizeram eco desse sentimento. O prefeito de Londres, Ken Livingstone, e o médico americano que virou ativista político Hunter Patch Adams são esperados. Rod Filayson, um dirigente sindical inglês, ficou eletrizado com as nacionalizações e eventos culturais. “Bach nas favelas. Coisa que você só poderia sonhar.” Sonhar, dizem alguns críticos, é o problema: em vez de investigar complexidades - como a corrupção e a má-gestão que solapa alguns programas sociais -, os visitantes andam como sonâmbulos pela informação governamental e jamais escutam alegações de que a bonanza petrolífera da Venezuela está sendo desperdiçada e a democracia, sufocada.
Finlayson disse que o objetivo da delegação do Sindicato dos Trabalhadores de Transportes e Gerais da Grã-Bretanha era expressar solidariedade, e não investigar. Entretanto, caminhando por um distrito elegante de Caracas, a delegação foi agredida com ovos.
Rory Carroll THE GUARDIAN CARACAS
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