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Segunda-feira, 29 janeiro de 2007   edições anteriores
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  Sob as barbas dos vigilantes das fraudes

ONG Amarribo não conseguiu impedir ocorrência de casos de corrupção em sua própria cidade-sede

Conhecida nacionalmente pelo combate à apropriação indevida do dinheiro público, a ONG Amarribo, da pequena cidade de Ribeirão Bonito, a 260 quilômetros de São Paulo, não conseguiu impedir que casos de corrupção voltassem a ocorrer na própria cidade. O presidente da Câmara e três vereadores foram presos no início do ano após serem filmados pedindo propina ao prefeito Rubens Gayoso Júnior (PT) - que acionou o Ministério Público e gravou em vídeo o achaque, numa ação que surpreendeu a ONG.

Os acusados, o presidente da Câmara, Ronaldo da Rocha (PT), e os vereadores Jairo Moretti (PL), que também é delegado de polícia, Anderson Garcia (PPS) e Daniel da Silva Moraes (PPS), exigiam “um milão (R$ 1 mil) cada um, por mês”, para dar apoio ao prefeito na Câmara. Após dez dias na prisão, eles pagaram fiança e estão em liberdade, mas o caso soou como um alerta para a Amarribo.

“É lamentável que isso volte a ocorrer numa cidade que já cassou prefeito e vereador”, disse o presidente da ONG, Pedro Sérgio Ronco. Ele reconhece que a luta contra os maus políticos tem de ser contínua. “Deu moleza, eles metem a mão no dinheiro público.” Ronco lembra que o próprio prefeito estava sendo investigado por outra suposta irregularidade.

O promotor Marcel Zanin Bombardi pediu à Câmara a formação de comissão processante para submeter os quatro vereadores a processo de cassação. Também pediu a prisão preventiva dos envolvidos, mas até sexta-feira não havia decisão da Justiça.

Em 2002, na época dirigida pelo empresário Antoninho Marmo Trevisan, a ONG liderou um movimento que culminou com a prisão do então prefeito Antonio Sérgio Buzzá (PMDB), acusado de participar de um esquema que desviava recursos da merenda escolar. A verba que compraria carne para as crianças ia para o açougue, mas o bife não ia para a merenda. O dinheiro voltava para o bolso do prefeito e de outros integrantes do esquema. Buzzá teve o mandato cassado e fugiu quando a Justiça decretou sua prisão. Preso em Rondônia, ficou 11 meses na cadeia. Na época, também teve o mandato cassado o vereador Luiz de Franco Neto (PDT), acusado de participar do esquema.

O sucesso da ação tornou a Amarribo uma ONG modelo no combate à corrupção. Com a assessoria de Trevisan, que está afastado em razão de viagens, foram criadas cartilhas explicando os métodos de desvio de dinheiro público e as formas de identificar os indícios. “Distribuímos mais de 120 mil cartilhas e fizemos 127 palestras pelo Brasil.” Segundo ele, foram criadas 87 ONGs inspiradas na Amarribo.

José Maria Tomazela
RIBEIRÃO BONITO

   


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