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  Em crise, Incor de Brasília pára atendimentos

Como reflexo das dificuldades da Fundação Zerbini, hospital agora só receberá casos de emergência

Ricardo Westin

A filial do Instituto do Coração (Incor) em Brasília não realiza, desde ontem, consultas, internações nem cirurgias, a menos que sejam casos de emergência. Os atendimentos foram suspensos por falta de dinheiro, e não há previsão para que sejam retomados. Segundo o Incor-DF, haverá demissões de médicos e funcionários.

As portas fechadas do Incor-DF são um reflexo da crise que atinge a Fundação Zerbini, entidade que apóia financeiramente as atividades do Incor de São Paulo. Afundada numa dívida de R$ 245 milhões, a Zerbini foi socorrida pelo governo de São Paulo, que no final do mês passado aceitou assumir parte dos débitos. Maior instituto de cardiologia da América Latina, o Incor faz parte do Hospital das Clínicas de São Paulo, que é estadual.

Uma das várias condições impostas pelo governador José Serra (PSDB) para o socorro foi que a unidade de Brasília deixasse de ser vinculada à Fundação Zerbini, para evitar que dinheiro do hospital paulista continuasse sendo aplicado na unidade da capital federal. O processo de separação jurídica ainda não foi concluído. E o Incor-DF está longe de ser financeiramente autônomo.

Segundo o médico David Uip, diretor da Zerbini e das duas unidades do Incor, o dinheiro em Brasília não é suficiente “nem sequer para fechar o mês”. “Pode ter certeza de que haverá demissões”, disse ele. “Estamos nos concentrando naquilo que é prioritário para garantir a qualidade do atendimento aos pacientes em estado crítico.”

POPULAÇÃO AFETADA

Inaugurado em 2004, o Incor-DF é um dos mais importantes hospitais da capital federal. É o único credenciado para realizar transplantes de coração e fígado.

A população da capital e das cidades-satélites vai sentir os efeitos da suspensão dos atendimentos. No ano passado, o Incor-DF realizou cerca de 12,5 mil consultas, 550 cirurgias e 150 implantes de marcapasso. O Incor-DF funciona dentro do Hospital das Forças Armadas e atende pacientes particulares, de planos de saúde e do Sistema Único de Saúde (SUS).

A decisão de suspender os atendimentos foi tomada na terça-feira, pelo Conselho Curador da Zerbini. Os conselheiros dizem que o Incor-DF ainda não conseguiu chegar à autonomia financeira porque verbas prometidas pelo Congresso Nacional não foram repassadas.

Segundo uma nota divulgada ontem pela Zerbini, o Incor-DF conta apenas com R$ 800 mil, pagos pela Secretaria da Saúde do Distrito Federal pela prestação de serviços no SUS. “Embora o Senado tenha comprometido R$ 8,2 milhões de seu orçamento 2007 para o Incor-DF, até o momento não houve liberação de nenhuma parcela. A Câmara, que ao lado do Senado foi demandante da instalação do hospital, retirou-se do projeto”, diz a nota.

EM NÚMEROS

R$ 245 milhões

é o valor da dívida da Fundação Zerbini, que apóia o Incor, com bancos e fornecedores. O governo de São Paulo aceitou assumir parte do débito, mas impôs exigências. Uma delas foi que o Incor-DF se tornasse independente da Zerbini

550 cirurgias
foram realizadas no ano passado no Incor-DF. O hospital, um dos mais importantes da capital federal e o único a realizar transplante de coração, atende pacientes particulares, de planos médicos e do Sistema Único de Saúde (SUS)

   


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