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Vaticano quer 'era das mulheres'
Pregador da Casa Pontifícia elogia atitude das discípulas de Cristo e pede que mulheres não ajam como homens
João Carlos com Reuters e Efe
Um elogio e uma crítica às mulheres pontuaram a homilia da Sexta-Feira Santa pronunciada ontem pelo padre franciscano Raniero Cantalamessa, Pregador da Casa Pontifícia, na presença de Bento XVI. Pela tradição, não é o papa quem fala nesta ocasião, uma das principais das celebrações de Páscoa.
Cantalamessa aconselhou às mulheres que parem de agir como homens para conquistar espaço na sociedade e se abstenham de tentar apagar as diferenças entre os sexos.
Ele conclamou o mundo, porém, a entrar na “era das mulheres”. O clérigo lembrou que nenhuma mulher foi responsável pela morte de Cristo, apenas homens. “Se discute intensamente, há tempos, quem desejou a morte de Jesus: se os chefes judeus ou Pilatos, ou ambos. Uma coisa é certa, de qualquer modo: foram os homens, não as mulheres”, afirmou.
Ele também disse que as discípulas seguiram Jesus não porque buscavam poder ou tinham expectativa de fazer carreira, mas por acreditarem nele. E ressaltou que elas estiveram ao lado do Messias até sua morte e foram as primeiras a vê-lo ressuscitado.
“Esse é o motivo para ter esperanças de que a humanidade finalmente entre na era das mulheres: uma era de coração, de compaixão”, disse. “Elas foram muito mais do que ‘mulheres piedosas’, foram ‘mães coragem’, as únicas, depois de Maria, que haviam assimilado o espírito do Evangelho.”
Cantalamessa concluiu afirmando que “a experiência cotidiana” demonstra que “as mulheres podem contribuir para salvar nossa sociedade de alguns males inveterados que a ameaçam, como a violência, o desejo de poder, a aridez espiritual e o desapreço pela vida”. Mas acrescentou um alerta: as mulheres “também não podem se precipitar”.
ERA DO GELO ESPIRITUAL
Cantalamessa lamentou o fato de as pessoas tentarem aprimorar mais sua capacidade intelectual do que a de amar. “O conhecimento se traduz automaticamente em poder; o amor, em doação.” Em uma referência ao processo de aquecimento global causado pelos gases-estufa (veja reportagens no caderno especial), Cantalamessa disse ser necessário dar mais espaço à razão do coração “se quisermos evitar que nosso planeta, mesmo enquanto esquenta fisicamente, entre numa era do gelo espiritual”.
Também ontem foi celebrada a Via-Crúcis, no Coliseu de Roma, quando foram rememoradas 14 etapas do martírio de Jesus. As meditações deste ano foram preparadas por Gianfranco Ravasi, chefe da Biblioteca-Pinacoteca Ambrosiana de Milão, que privilegiou momentos da Paixão que habitualmente não estão incluídos - como a vigília de oração de Jesus no Jardim das Oliveiras, e o beijo com que Judas o trai, e a recomendação, já na cruz, para que São João cuide de Maria como se fosse sua mãe. O roteiro revisado da Via-Crúcis excluiu episódios que não estão nos textos canônicos da Bíblia e foram incluídos pela tradição, como o encontro com Santa Verônica, em que ela limpa o sangue do rosto de Cristo com um sudário.
Ao presidir a cerimônia, o papa Bento XVI exortou os fiéis a serem sensíveis ao sofrimento.
APARECIDA
A proximidade da visita do papa a Aparecida parece ter incentivado os fiéis a participar da Via-Sacra, celebrada todos os anos no Morro do Cruzeiro.
Nesse ano aumentou o número de católicos de todo o País que participaram do evento, iniciado às 5 horas debaixo de uma pequena garoa que não chegou a atrapalhar a tradicional procissão com velas. Durante o percurso, foram feitas reflexões sobre a Amazônia e o meio ambiente, temas da Campanha da Fraternidade desse ano. Às 9 horas foi realizada uma encenação no interior da Basílica.
Mas, ao contrário do que ocorre em outras datas religiosas, nenhuma autoridade civil visitou ontem o templo.
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