estadao.com.br Estadao Jornal da Tarde Agencia Estado Eldorado AM Eldorado FM iLocal ZAP
   

Julio Mesquita
(1891-1927)
DIRETOR:
Ruy Mesquita

 
 
PARTICIPAÇÃO
ESPECIAIS
MERCADOS/FUNDOS
 
 
  
 
      Busca local   
Sábado, 7 abril de 2007   edições anteriores
VIDA&
 ÍNDICE GERAL | ÍNDICE DA EDITORIA | ANTERIOR | PRÓXIMA
  Casal perpetua arte ucraniana de desenhar símbolos em ovos

Moradores do Paraná, há 30 anos eles vivem de fazer pêssankas

Evandro Fadel, CURITIBA

Tradição milenar do povo ucraniano, que acompanhou os primeiros imigrantes em 1895, a arte de escrever símbolos coloridos em ovos tornou-se uma profissão para o casal João e Iára Serathiuk, de Curitiba. O trabalho meticuloso, que pode levar entre cinco e seis horas, é feito pelo casal há 30 anos. Uma dedicação que faz da família referência nacional e internacional quando se trata de pêssankas, uma palavra derivada do verbo pessate - escrever.

Talvez seja a única família a viver exclusivamente dessa arte. Dos filhos, Andréia, hoje com 34 anos, é a única que mantém a tradição. Ela começou a aprender aos 7 e, há cerca de três anos, acrescentou o toque brasileiro e passou a desenhar simbologias da cultura indígena. “Há algumas coisas muito parecidas com a ucraniana.”

Cada peça e cor da pêssanka têm um significado diferente e revela o desejo de quem presenteia ou de quem a mantém em casa: amor, saúde, juventude eterna, sucesso, poder. Escavações realizadas na região de Tripilha, na Ucrânia, encontraram inscrições em ovos com cerca de 3.700 anos. Era o sinal da vida que renasce na primavera e, com o advento do cristianismo, passou a simbolizar a Ressurreição de Jesus, promessa de um mundo melhor e feliz.

“Para os ucranianos, o maior evento é a Páscoa, além de ser o início da primavera”, disse João. “O ovo representa o renascimento, a vida nova.” Tradicionalmente, eram dados no Domingo de Páscoa, após a bênção no Sábado de Aleluia. Hoje, de acordo com Iára, não tem mais um período determinado. Tanto que eles trabalham todos os dias o ano todo. A popularização começou em 1978, quando o casal decidiu viver da arte.

João deixou o trabalho em uma farmácia e Iára teve que se desdobrar para compatibilizar com o cuidado caseiro. O sucesso foi imediato e os convites para feiras de artesanato foram se acumulando. “Hoje é um souvenir do Paraná”, diz Iára.

As pêssankas feitas por eles ganharam o mundo. Há peças no Haupt Museum e Museu de Etnologia de Genebra (Suíça), Museu Internacional de Artesanato (Cuba) e Museu Etnográfico Nacional de Kiev (Ucrânia), além de uma no Memorial da Imigração Ucraniana, no Parque Tingui, em Curitiba. Em 1994, eles decidiram parar de viajar para expor. “Dá muito trabalho”, acentuou Jorge.

Antes disso, eles tiveram suas satisfações. Em 1991, a Ucrânia tinha declarado sua independência e enviou representantes do Ministério da Cultura para convencê-los a fazer exposições e ensinar técnicas da arte. “A técnica havia desaparecido na Ucrânia, pois não foi incentivada”, disse Jorge. “Para o povo ucraniano, fazer pêssanka era símbolo de nacionalidade e, quando o país estava dominado, houve desestímulo exatamente para que não aparecesse a nacionalidade.” Além de ministrar cursos, eles deixaram um vídeo, distribuído a todas as escolas.

A última novidade do casal é desenhar os símbolos em ovos de avestruz. Com menos cálcio que os de galinha, gansa e codorna, não absorvem bem a tinta. Demora duas semanas para ficarem prontos. Por isso, são mais caros: R$ 180. As tradicionais saem por R$ 20.

   


    Links Patrocinados
  Estadao.com.br | O Estado de S.Paulo | Jornal da Tarde | Agência Estado | Radio Eldorado | Listas OESP
  Copyright © Grupo Estado. Todos os direitos reservados.