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  Terapia devolve movimento a gatos

Nova técnica com célula-tronco indica que paralisia provocada por lesões cervicais pode ser revertida no futuro

Tiago Décimo, SALVADOR

Os primeiros resultados em animais de uma terapia experimental com células-tronco, desenvolvida por pesquisadores brasileiros, sugerem que, no futuro, pessoas com paralisia devido a lesões cervicais recuperem o movimento das pernas.

A técnica ainda está no começo e não tem aplicação em humanos. Adotada por cientistas da Fundação Oswaldo Cruz na Bahia (Fiocruz-BA) em parceria com pesquisadores da Escola de Veterinária da Universidade Federal da Bahia (UFBA), consiste na aliança entre a cirurgia ortopédica - para corrigir o trauma causado na estrutura óssea da coluna - e a inserção de células-tronco no trecho lesionado da medula nervosa (feixe de neurônios que é envolto pela coluna).

O tratamento foi testado em gatos, que apresentaram uma resposta positiva, ainda que inicial. “Foi a primeira vez que um procedimento como esse foi testado em animais de maior porte, que sofreram acidentes naturais e que já tinham algum tempo de imobilidade nos membros”, explica o veterinário Euler Moraes Penha, da UFBA, responsável pelas intervenções cirúrgicas.

Penha cita dois casos. O gato Digo, atropelado aos 5 meses, teve um trecho de sua coluna esmagado. Ele passou oito meses sem controle muscular e sem sensibilidade do abdome até a cauda. Passado pouco mais de um mês desde que foi submetido ao procedimento, já controla a musculatura abdominal e arrisca os primeiros passos, acompanhados por fisioterapeutas veterinários.

A outra paciente, a gata Lola, tinha 1 ano e 6 meses quando caiu do apartamento onde vivia, no sétimo andar, sobre um muro, o que causou uma ruptura completa em sua coluna. O animal passou pelo mesmo tratamento há 15 dias, e já consegue se manter em pé sem ajuda.

“Acreditamos que em pouco tempo os animais vão voltar a ter uma vida normal, mas de qualquer forma eles já estão muito melhores do que quando foram submetidos às cirurgias”, afirma o veterinário.

TRATAMENTO

A equipe utilizou células-tronco adultas, obtidas na medula óssea dos animais. Células-tronco são aquelas que carregam o potencial de formarem qualquer tipo de tecido do corpo. Ainda que as adultas sejam menos plásticas do que as embrionárias, elas têm a grande vantagem de não causar rejeição do organismo.

“Para conseguir as células-tronco necessárias para o tratamento, extraímos um pouco da medula óssea da bacia dos próprios gatos”, conta Penha. Nos mamíferos, explica, aproximadamente 1% da medula óssea é formada por células-tronco. “Depois, separamos essas células do material coletado e as cultivamos em colônias até que atingissem uma quantidade suficiente para que fossem inseridas no local lesionado.”

Segundo o veterinário, estudos ainda vão ser realizados para precisar a porcentagem de células-tronco que viraram células nervosas, para que o procedimento passe a ser mais preciso. “De momento, porém, já se pode dizer que o tratamento foi muito bem-sucedido.”

Ele e sua equipe procuram mais animais - como outros gatos e cães - que tenham sofrido lesões graves na coluna para continuar os testes. “Nossa expectativa é que, em até um ano, os cientistas consigam aprovar o protocolo de pesquisa para testar a terapia em humanos.”

Outros grupos no Brasil, como um formado na Universidade de São Paulo (USP), também testam o uso de células-tronco para tratar lesões na coluna. As pesquisas se encontram em diferentes etapas, contudo todas são experimentais.

   


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