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  Dois anos depois, zôo revela que doença de ratos matou animais

Virose nunca havia sido registrada em bichos selvagens no Brasil; direção nega vínculo com primeira onda de mortes

Fabiane Leite e Marcelo Godoy

Uma doença rara transmitida pelas secreções de ratos foi a principal causa da segunda onda de mortes de animais, ocorrida entre o fim de 2004 e o início de 2005 no Zoológico de São Paulo, de acordo com a direção do local. A encefalomiocardite, segundo estimativa do diretor técnico-científico da Fundação Zoológico, José Luiz Catão Dias, provocou a morte de até 30 animais naquele período. A virose, que jamais havia sido registrada entre animais selvagens no Brasil, mata subitamente após causar inflamações no tecido cerebral e no coração.

O fato foi confirmado a integrantes do Conselho Estadual do Meio Ambiente em abril por meio de carta da Fundação. A informação sobre a zoonose (doença transmitida por animais) reabriu as discussões sobre outra onda de mortes, esta mais famosa: o fim de 73 mamíferos que habitavam principalmente o setor “extra” - fora da área de exposição ao público - no início de 2004.

O caso preocupou o então governador Geraldo Alckmin (PSDB) e foi relacionado, pela diretoria e pela polícia, a um envenenamento em massa dos bichos por um remédio para ratos (monofluoracetato de sódio). Havia a suspeita de que funcionários estariam por trás dos crimes.

“Soubemos que havia indícios para zoonoses (na segunda onda de mortes) e pedimos esclarecimentos à diretoria do zoológico. A questão é se não foi equivocada a tese de que um serial killer causou a primeira onda”, disse Carlos Bocuhy, do Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental (Proam), um dos membros do colegiado de ambientalistas do conselho, grupo que pediu explicações ao zôo. Dependendo da resposta, os ambientalistas podem levar o caso ao conselho, que decide que providência será tomada - uma das possibilidades é recomendar sindicância à Secretaria de Estado do Meio Ambiente.

As primeiras informações sobre a doença transmitida por ratos chegaram ao colegiado por meio de Márcio Augelli, professor de Química da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Guaratinguetá, ativista em entidades de defesa de animais e antigo desafeto da cúpula do zoológico. Depois, o próprio zôo confirmou os indícios da doença.

No entanto, desde o início de 2004, a polícia já tinha informações sobre uma superpopulação de ratos no zôo, mas a investigação foi para outro lado: a empresa na época realizava a desratização foi suspeita de exagerar no veneno, o que foi descartado depois. A Fundação nega a ligação entre as duas ondas de mortes e promete dar explicações aos ambientalistas em junho.

O inquérito da Polícia Federal sobre o caso foi relatado no fim de 2006 à Justiça sem que fosse apontada a autoria do crime. Segundo a diretoria do zoológico, advogados da Fundação interferiram para que as investigações prosseguissem. A PF informou que o inquérito ainda não retornou da Justiça.

   


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