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País cobra vaga no Conselho de Segurança
Denise Chrispim Marin, BRASÍLIA
O Itamaraty espera que a Organização das Nações Unidas (ONU) retome ainda este ano a negociação para a reforma do seu Conselho de Segurança que permita o acesso do Brasil a uma vaga de membro permanente. A nova representante do Brasil na ONU, embaixadora Maria Luiza Viotti, vai assumir o posto dia 16 e três dias depois já enfrentará um debate sobre o polêmico tema na Assembléia-Geral. “A fase dos debates já se esgotou. Para nós, é importante criar um espaço de negociação”, afirmou ontem a embaixadora.
As discussões estarão concentradas no relatório preparado por um grupo de facilitadores. O texto recomenda a adoção de um “caminho intermediário” entre a maioria dos países da ONU, que quer ampliar o número de vagas permanentes do conselho, e dos que preferem aumentar as que não são permanentes.
Segundo Maria Luiza, isso já foi proposto pelo G-4, o grupo de apoio recíproco ao ingresso no conselho, formado por Brasil, Alemanha, Índia e Japão. Em 2005, o G-4 defendeu a criação de seis vagas permanentes, para seus quatro integrantes e dois países africanos.
A idéia nem foi debatida, porque a União Africana retirou seu apoio. Desta vez, a embaixadora acredita que o cenário é mais favorável. “Até os Estados Unidos deixaram a resistência anterior e incluíram o tema nas discussões com o Brasil em nível presidencial.”
POLUENTES
Maria Luiza Viotti também falou da posição que o Brasil levará à reunião de cúpula da ONU sobre Mudança de Clima, em 24 de setembro. O governo brasileiro vai integrar o grupo de pressão contra a intenção de países ricos de reduzir suas metas de corte de emissão de poluentes, previstas no Protocolo de Kyoto, reforçando a cobrança com a iniciativa unilateral da indústria paulista de criar metas próprias.
O presidente Lula vai apresentar as medidas do governo contra práticas que prejudicam o clima e se oporá às pressões do G-8 (EUA, Alemanha, Canadá, França, Reino Unido, Itália, Japão e Rússia) para que o mundo emergente assuma compromissos de corte. Lula quer propor ainda que países desenvolvidos aprovem medidas de estímulo financeiro para emergentes que já têm políticas de redução de desmatamento e para uso de fontes alternativas de energia.
“O presidente quer a adoção de incentivos positivos aos países que não estão obrigados a cumprir as metas do Protocolo de Kyoto”, afirmou Maria Luiza. “O elemento essencial da discussão será a manutenção das metas para as economias desenvolvidas. Na ONU, os países em desenvolvimento terão condições melhores de defender essa visão que no G-8.”
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