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Poesia une Noel Rosa e Chico Buarque no palco
Chico Rosa chega à cidade após 5 anos em Belo Horizonte
Beth Néspoli
Só mesmo uma licença poética para unir no mesmo palco Noel Rosa (1910-1937) e Chico Buarque. Mas bem que poderia ter acontecido. O autor de Feitiço da Vila, boêmio incorrigível, morreu de tuberculose muito jovem, aos 27 anos. Chico nasceu sete anos depois, mas garoto ainda já era admirador ardoroso da obra do sambista de Vila Isabel. Claro que alguns anos depois eles poderiam cantar juntos, como realmente aconteceria mais tarde, por exemplo, com Chico e Cartola.
Pois em Belo Horizonte, um diretor resolveu criar 'o que poderia ter sido' e colocou sob os refletores, juntos, tocando, cantando e contando histórias esses dois gênios da música popular brasileira. Resultado: Chico Rosa ficou cinco anos em cartaz na capital mineira e estréia agora em São Paulo no Espaço Cultural Juca Chaves. 'É um teatro que quer se firmar na cidade como espaço musical', diz Jair Raso, diretor e idealizador sobre o local escolhido para a temporada paulistana.
Um dos desejos de Raso, ao idealizar Chico Rosa, era apresentar Noel ao público mais jovem. 'Não é que me surpreendi com a quantidade de jovens que passam a conhecer também a música de Chico Buarque a partir do espetáculo! Claro que eles sabem quem são Noel e Chico, reconhecem a importância de ambos, mas de verdade mesmo muitos deles jamais pararam para ouvir suas músicas', diz Raso. Ele conta que a idéia surgiu há dois anos. Desde o início estava decidido que Luiz Rocha, ator com quem Raso já trabalhava, viveria Noel. Mas quem iria interpretar Chico?
'O roteiro estava todo pronto, as histórias pessoais costuradas às músicas, tudo ensaiado: e Noel ficou dois anos esperando por Chico', brinca Raso. Sim, porque o diretor não conseguia encontrar alguém que tivesse um tipo físico semelhante. 'Tudo bem, no teatro a gente só precisa dos atores, uma história e a imaginação do público faz o resto. Não é um show saudosista, pelo contrário. A idéia é um espetáculo contemporâneo para resgatar o que é antigo, no caso de Noel, daí também esse encontro. Mas eu queria alguém que tivesse um timbre de voz semelhante ao do Chico.'
Por incrível que pareça, acabou conhecendo Ricardo Nazar, o intérprete de Chico, do modo mais óbvio: realizou uma audição. 'Apareceu um ator negro maravilhoso e até mulher para fazer o teste. Mas logo que ouvi o Nazar vi que seria ele, porque o timbre era o mesmo. Ele faz show em homenagem ao Chico, eu já tinha ouvido falar, mas não tinha ido ver.' Valeu o esforço de produção. 'Ensaiamos oito meses, estamos há cinco anos em cartaz. E a reação do público é muito boa.'
A concepção coreográfica é a de um bar. Sentados em banquinhos, numa mesa cuja forma é metade atual, metade da década de 30, Chico e Noel conversam, tocam violão e cantam. A conversa começa pela estada de Noel em Belo Horizonte. 'O clima da cidade era considerado bom para os tuberculosos, tinha sanatório lá. Ele ficou mesmo na casa de uma tia, mas caiu na boemia', diz Raso. Sobre isso ambos conversam e é ensejo para Noel cantar o samba Coração. Chico então canta um samba de João Nogueira feito em homenagem a Noel. E assim começa uma troca de sambas, histórias e afetos.
(SERVIÇO)Serviço Chico Rosa. 8 0 min. Livre. Espaço Juca Chaves (350 lug.). R. João Cachoeira, 899, 3073-0044. 6.ª e sáb., 21 h; dom., 20h30. R$ 40. Até 30/9
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