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Nova safra recorde
Embora tenham registrado o expressivo crescimento de 49,2% em 2007, as vendas de máquinas agrícolas, no total de 38,3 mil unidades, ainda ficaram abaixo do recorde registrado em 2004, de cerca de 43 mil unidades. A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), que reúne também os fabricantes de máquinas agrícolas, acredita que, na próxima safra, a atividade no campo se manterá intensa, com aumento da área plantada e da produção de grãos, mas projeta crescimento menor. Prevê que, neste ano, as vendas crescerão cerca de 15% em relação às de 2007, resultado muito bom.
As novas estimativas do governo para a próxima safra justificam a previsão dos fabricantes. Se ela se confirmar, as vendas do setor alcançarão, e provavelmente superarão, os níveis de 2002 e 2004, o período de melhor desempenho do setor em toda a história, e ao qual se seguiu uma abrupta queda, parcialmente revertida no ano passado.
Os fabricantes de máquinas agrícolas confessam-se surpreendidos com os resultados de 2007. Esperavam o crescimento das vendas, como disse o vice-presidente da Anfavea para a área de máquinas agrícolas, Milton Rego, mas “o que surpreendeu foi o vigor da recuperação”. Em 2007, as vendas que mais cresceram foram as de tratores de roda (aumento de 53,2%, atingindo 31,3 mil unidades) e de colheitadeiras (131,2%, com a venda de 2.381 unidades). Para este ano, a projeção é de novo aumento expressivo nas vendas de colheitadeiras, porque, explica Rego, os produtores precisam repor as máquinas que deixaram de ser trocadas nos últimos três anos.
As perspectivas para o mercado agrícola continuam boas. Os preços internacionais estão num nível alto, no qual devem manter-se ao longo deste ano, em razão de fatores como o bom desempenho das economias dos países em desenvolvimento, o uso de matérias-primas agrícolas para a produção de combustíveis e a redução da oferta de alguns produtos por causa de problemas climáticos.
Esses foram alguns dos fatores lembrados pelo ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, para justificar sua expectativa de que os preços continuarão atraentes para os produtores. “Como a demanda segue aquecida e não há sinal de mudança na produção, o mercado segue em crescimento.”
A mais recente estimativa do governo, que compatibilizou os levantamentos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), é de que a safra de grãos 2007/2008 alcançará o recorde de 135,8 milhões de toneladas, o que representará aumento de 3,1% em relação à safra anterior, de 131,7 milhões de toneladas. Como a área plantada será praticamente a mesma (deverá alcançar 46,3 milhões de hectares, apenas 0,3% maior do que a ocupada na safra anterior), a produtividade crescerá.
A pesquisa da Conab constatou que o aumento da área cultivada nas principais culturas de verão foi provocado pelos bons preços de mercado e contratos de entrega futura. Num caso, porém, o do feijão 1ª safra, os bons preços não foram suficientes para compensar a falta de chuvas e das baixas temperaturas registradas nos Estados produtores (São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul). O resultado foi a redução da área plantada.
Para o café, a projeção é de crescimento de 16,3% da produção (que deve alcançar o equivalente a 41,8 milhões de sacas de 60 kg do produto em grãos beneficiados), em razão do ciclo bianual da espécie predominante (arábica), que alterna baixas e altas produtividades.
Curiosamente, no caso do principal produto cultivado no País, a soja, deverá haver queda de produtividade. Sua produção está estimada em 58,2 milhões de toneladas (0,4% menos do que na safra anterior), mas o plantio de soja ocupará uma área 1,2% maior do que a utilizada na temporada anterior. A demora no início do período das chuvas na maioria dos Estados produtores provocou o atraso do início do plantio. E, no Rio Grande do Sul, as dificuldades climáticas e fitossanitárias devem reduzir o rendimento da soja no Estado, que, na safra anterior, foi elevado.
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