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  350 mil palestinos de Gaza invadem o Egito para comprar suprimentos

Mubarak diz que autorizou entrada depois que militantes explodiram parte da barreira na fronteira

AP, REUTERS, EFE E AFP

Rafah, Faixa de Gaza - Centenas de milhares de moradores da Faixa de Gaza cruzaram ontem a pé, de automóvel ou mesmo de carroça a fronteira com o Egito, depois que militantes palestinos destruíram parte da barreira que separa os dois territórios na área da cidade de Rafah.

Os palestinos - segundo o jornal israelense Haaretz, cerca de 350 mil, de uma população de 1,5 milhão na Faixa de Gaza - invadiram o lado egípcio para comprar alimentos, remédios, peças de carro e também geradores, combustível, baterias e cigarros, itens que se tornaram escassos e muito caros por causa dos vários meses de restrição de entrada e saída de Gaza.

O rompimento da barreira e a invasão de palestinos ocorreram em meio ao bloqueio imposto na semana passada por Israel a Gaza por causa dos lançamentos de foguetes contra o território israelense.

O Egito normalmente mantém um intenso controle de sua fronteira com Gaza, apesar de Israel acusá-lo de fazer vistas grossas ao tráfico de armas. O Egito mantinha a fronteira fechada desde junho, quando o Hamas derrotou e expulsou de Gaza as forças de segurança ligadas ao presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas.

Ontem, o presidente egípcio, Hosni Mubarak, disse que ordenou a suas forças de segurança que liberassem a entrada dos moradores de Gaza, depois que militantes explodiram partes da barreira de madrugada. O Hamas não assumiu a responsabilidade pela ação, mas um membro do grupo radical islâmico disse que essa invasão estava sendo preparada havia meses e maçaricos estavam sendo usados para fazer cortes nas partes metálicas da barreira.

“Pedi às autoridades responsáveis que permitissem a entrada dos palestinos para comprar bens de primeira necessidade e seu retorno a Gaza, desde que não estivessem com armas”, disse Mubarak. Paralelamente, a polícia deteve no Cairo 500 egípcios que preparavam um protesto contra o bloqueio israelense a Gaza.

Israel manifestou preocupação de que militantes e armas possam entrar em Gaza em meio ao caos e disse que cabe ao Egito restaurar a ordem. Os EUA também disseram estar preocupados com a situação e responsabilizaram o Hamas. “Os palestinos em Gaza estão vivendo o caos por causa do Hamas”, disse a porta-voz da Casa Branca, Dana Perino.

O líder do Hamas em Gaza, Ismail Haniyeh, pediu ontem uma reunião urgente com seus rivais do Fatah - partido do presidente Abbas - e o governo egípcio para negociar um novo acordo sobre o controle das passagens fronteiriças de Gaza.

Haniyeh sugeriu que as passagens sejam abertas “com base em uma participação nacional”, indicando que o Hamas estaria preparado para ceder algum controle ao governo de Abbas. No entanto, a Autoridade Palestina disse que Haniyeh tenta explorar a situação para obter ganhos políticos.

Um dia após Israel suspender temporariamente seu bloqueio a Gaza, permitindo a entrada de combustível e alimentos, fontes do governo israelense disseram ontem que, “enquanto continuarem os ataques com foguetes, os caminhões com mercadorias não atravessarão a fronteira”. Militantes palestinos dispararam ontem 21 foguetes contra o sul de Israel, sem deixar vítimas.

   


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