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ECONOMIA & NEGÓCIOS
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  Demora no recall pode custar mais de R$ 6 milhões à Volks

Campanha sobre o Fox exigida pelo governo começou ontem na televisão

Cleide Silva

A Volkswagen terá, no mínimo, gasto extra de R$ 6 milhões por ter resistido em fazer o recall do Fox assim que as denúncias sobre problemas com a peça do banco traseiro se intensificaram, no início do ano. O dinheiro, suficiente para a compra de 200 Fox básicos, equivale ao valor que a montadora vai pagar ao governo federal e ao montante a ser desembolsado em campanhas de esclarecimento e convocação na imprensa.

O valor pode não ser significativo para uma companhia que investirá R$ 3,2 bilhões no Brasil até 2011, mas há um custo imensurável à sua imagem.

Hoje, vai ao ar nas principais redes de TV do País, em horário nobre, aviso de que a montadora fará o recall num prazo de até 60 dias. O mesmo anúncio foi publicado anteontem em jornais de grande circulação. Segundo fontes do mercado publicitário e empresas que já fizeram recall, o custo de uma campanha desse tipo varia de R$ 1 milhão a R$ 3 milhões.

Assim que definir como e quando fará o recall, a Volkswagen terá de repetir o anúncio. No dia 9 de fevereiro, ela já havia publicado anúncios informando que os interessados poderiam levar o carro às revendas caso desejassem a instalação de uma peça (um anel de borracha) na argola que teria mutilado consumidores.

Se o recall tivesse ocorrido logo após as denúncias, antes portanto da convocação da empresa pelo Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC), o anúncio teria sido feito uma única vez e não haveria necessidade da doação de R$ 3 milhões ao Fundo de Direitos Difusos, incluído no acordo com o Ministério da Justiça.

O custo de todo o recall será muito maior. A empresa terá de desenvolver novo sistema para evitar que, ao rebaixar o banco para ampliar o espaço do porta-malas, o usuário corra riscos de ferir-se. Há oito casos em que os usuários perderam parte dos dedos após a operação. A VW já fez acordo de indenização com alguns deles, que receberam entre R$ 65 mil e R$ 90 mil.

Não há como calcular o valor do desenvolvimento desse novo sistema, até porque a Volkswagen ainda não deu detalhes do que será feito. Segundo fornecedores de peças, caso a opção seja a mais radical, que é a troca do banco, o custo pode variar de R$ 800 a R$ 1,2 mil por veículo. A empresa vendeu no mercado brasileiro mais de 480 mil modelos da família Fox, mas ainda não disse quantos terão de passar pelo recall, pois o sistema é diferente em algumas versões.

Além disso, há o desgaste da imagem da empresa. Para Vitor Morais de Andrade, professor da PUC/SP e mestre em direito do consumidor, se a montadora tivesse feito o recall antes da pressão feita pelo DPDC, certamente seria melhor. Ele, porém, considera positivo o fato de a VW “ter mudado de postura, após perceber os movimentos contrários à sua posição inicial”. A empresa defendia que não era caso de recall, e que os acidentes ocorreram porque os clientes não seguiram as normas do manual.

A lição que ficará, na opinião de Andrade, é a de que “empresa que respeita o consumidor sai ganhando”. A VW não comentou o assunto ontem.

Também é cedo para avaliar efeitos na venda. No primeiro trimestre foram vendidos 30.166 Fox, 4,7% acima de igual período de 2007. Coincidência ou não, carros que junto com ele estão entre os 5 mais vendidos, cresceram mais. As vendas do Gol subiram 39%, as do Palio 14%, as do Celta 42% e as do Uno 32%. O mercado total cresceu 30%.

   


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