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Quinta-feira, 8 maio de 2008   edições anteriores
ECONOMIA & NEGÓCIOS
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  Após upgrade, País capta US$ 500 mi

Renata Veríssimo

Uma semana depois de o Brasil ter sido promovido a grau de investimento pela agência de classificação de risco Standard & Poor´s (S&P), o Tesouro Nacional voltou ao mercado internacional para emitir títulos brasileiros em dólares. Foram vendidos nos Estados Unidos e na Europa US$ 500 milhões em papéis chamados Global 2017. O País vai pagar a menor taxa entre todas as emissões desse papel.

O Brasil não vendia papéis em dólares no mercado externo desde abril de 2007, antes de a crise hipotecária nos Estados Unidos desencadear uma onda de turbulência global. Nesse período, sempre houve demanda pelos papéis brasileiros, mas o Tesouro preferiu aguardar um momento mais favorável para fazer novas emissões.

Desde agosto, auge das turbulências nos mercados financeiros internacionais, o prêmio cobrado pelo investidor estava elevado. Agora, voltou para níveis anteriores à crise.

Foram justamente a redução no prêmio cobrado pelos investidores e a obtenção do grau de investimento, que melhorou a percepção de risco do Brasil, os determinantes para a retomada da colocação de bônus em dólares no mercado externo.

Desde o grau de investimento, anunciado na quarta-feira da semana passada, a taxa de retorno para o investidor de títulos brasileiros tem caído. Em abril, estava em torno de 5,70% ao ano. Agora gira entre 5,20% e 5,30% ao ano.

O ganho dos investidores na emissão realizada ontem nos Estados Unidos e na Europa será de 5,299% ao ano, a mais baixa já obtida com esse papel. O Tesouro pagou 5,888% ao ano na emissão de Global 2017 em abril de 2007 e 6,249% ao ano na operação realizada em novembro de 2006.

A remuneração efetiva do investidor se reduziu porque houve forte demanda pelos títulos, o que levou ao pagamento de ágios em relação ao valor de face. Escrituralmente, os títulos rendem juros de 6% ao ano, pagos semestralmente nos dias 17 de janeiro e 17 de julho de cada ano, até o vencimento do papel, em janeiro de 2017.

Por outro lado, o spread (prêmio de risco) subiu para 140 pontos-base acima dos títulos do Tesouro norte-americano (Treasury) com vencimento em fevereiro de 2018.

Segundo técnicos do governo, isso ocorreu porque houve redução dos juros americanos, aumentando a diferença entre os juros pagos no Brasil e nos EUA. Na emissão de abril do ano passado, o spread foi de 122 pontos, o menor para uma emissão externa brasileira.

A operação de emissão de Global 2017 só terminou na madrugada de hoje. O Tesouro informou que iria ofertar até US$ 25 milhões dos mesmos títulos no mercado asiático. O resultado será divulgado hoje.

O Tesouro usa os dólares captados para fazer o gerenciamento da dívida, ou seja, liquidar operações de custo mais elevado ou aumentar o prazo médio do endividamento externo.

   


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