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Informática enriquece o campo
Fernanda Yoneya
O gerente-geral da Granja e Distribuidora de Ovos JB, Valnei José Brandão, ainda lembra de quando seus vendedores, e ele também, anotavam pedidos e fechavam vendas com bloquinho e caneta. 'Tínhamos que correr contra o tempo para, depois de pegar os pedidos, montar as planilhas de vendas, tirar a nota fiscal e organizar o carregamento', recorda. Há cerca de três meses, porém, Brandão trocou os antigos blocos por pequenos computadores de mão, conhecidos por palm tops. Foi uma mudança e tanto.
'Antes, os vendedores ficavam na rua das 7 às 14 horas, quando tinham que voltar para o escritório para dar tempo de fechar todas as entregas. Hoje, ficam na rua até as 18 horas. Quando voltam, as informações do palm vão direto para o computador e o programa faz tudo: monta a planilha, tira a nota fiscal e programa as entregas do dia seguinte', conta, acrescentando que todo o processo leva uma hora e meia. 'Antes, levava uma tarde.'
AGILIDADE
Os resultados estão aparecendo. A quantidade de clientes aumentou cerca de 30% por vendedor. 'Antes, cada vendedor atendia, em média, 20 clientes/dia. Hoje, é possível atender de 28 a 30 clientes; sobra mais tempo', anima-se. Brandão trabalha, atualmente, com cinco vendedores - ele também faz vendas -, mas, com a agilidade proporcionada pelo palm top, pretende, aos poucos, dobrar o número de vendedores e, assim, aumentar o faturamento da distribuidora em pelo menos 30%. 'Sem tecnologia, quanto mais vendedores, mais lento ficava o serviço. Agora há estrutura para contratar mais gente.'
Brandão contratou os serviços de uma empresa de soluções em informática e adquiriu um kit que inclui palm top e software, que organiza os dados recebidos em um computador central. Ao todo, o investimento foi de R$ 14.500, com palm tops de nível intermediário - cerca de R$ 1 mil cada um. 'Adotamos a tecnologia há três meses; estamos em fase de ajustes.'
FAZENDA HI-TECH
Tecnologia também é o que não falta na Fazenda Ramalhete, do pecuarista Rafael Possik. Ele, que tem 3 mil cabeças para cria, recria e engorda, em Rio Brilhante (MS), diz que a internet é item básico em sua propriedade. 'A tecnologia torna o produtor competitivo e é um diferencial. Sei o histórico de cada animal e quanto cada máquina gasta, por exemplo.' Quanto à internet, diz: 'Conecto uma área remota, como Rio Brilhante, com o mundo.'
O pecuarista acessa, de qualquer computador, o histórico de cada animal, checa a previsão do tempo e sabe quanto cada máquina está gastando. 'Comecei com um link de internet e sempre testo outros equipamentos.' Se precisa vender um caminhão de boi, recorre ao computador, para verificar as condições do mercado. 'Confiro a situação das bolsas e procuro fazer um bom negócio, vender na hora certa.'
Possik dá um exemplo de como a tecnologia pode ser útil no campo, e cita o Sistema Brasileiro de Identificação e Certificação de Origem Bovina e Bubalina (Sisbov), exigência de qualquer mercado consumidor. 'Antes, os dados eram anotados em fichas de papel, o que tornava as informações pouco confiáveis. Hoje, é tudo pelo computador, que dá mais segurança e precisão.'
Desde a internet via satélite, Possik Jr. calcula que já investiu mais de R$ 100 mil em equipamentos eletrônicos e em tecnologia. Como forma de reduzir custos, ele conta que faz parcerias com empresas de informática e tecnologia, testando os equipamentos na propriedade antes de fechar a compra. 'Se a ferramenta propicia um melhor gerenciamento da propriedade, certamente trará ganhos de produtividade', garante.
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