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Sábado, 30 junho de 2007   edições anteriores
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  Pedro Bandeira: um contador de causos

Julia Contier

Pedro Bandeira adora contar boas histórias. Talvez por isso ele seja o autor de Literatura Juvenil mais vendido no Brasil e um dos convidados da Flipinha - evento literário destinado ao público infanto-juvenil, que começa nesta quarta-feira em Parati.

Antes de embarcar para a Flip, Pedro Bandeira recebeu a equipe do Estadinho para uma conversa em sua casa. Falou sobre a infância, o processo de criação dos personagens e sobre o encontro em Parati.

Como era o Pedro Bandeira criança?

Eu nasci em Santos, o meu pai morreu antes de eu nascer e a minha infância está muito ligada ao livro, porque foi muito solitária. Na época não existia outro prazer, voltando da escola eu sentava embaixo de uma árvore e lia Reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato.

Qual é a diferença de ser criança na sua época e ser criança hoje?

Ser criança é igual em qualquer época, o que importa são as emoções e essas são sempre iguais.

Como você se tornou um autor de livros infantis?

Eu sempre escrevi muito bem porque eu lia muito, apesar de não ser um bom aluno. Comecei a trabalhar como jornalista e a escrever histórias para crianças. Resolvi fazer o meu primeiro livro para criança, em seguida fiz A Droga da Obediência, que foi um enorme sucesso. Nesse momento, abandonei o jornalismo e resolvi mudar de profissão e me aprofundar no universo infantil.

Nunca teve vontade de escrever para adultos?

Não, nunca quis. Hoje eu vejo que dei muita sorte de escrever para crianças. Essa é uma profissão muito gostosa, trabalhar com criança é maravilhoso.

Como é o seu processo de criação?

Eu tento pensar no que a criança está pensando naquele momento, nas coisas que estão à volta dela. A trajetória é como a da Doroty no Mágico de Oz: a criança passa por uma série de aventuras para poder voltar para a própria casa mais madura.

Como é a criação dos seus personagens? Algum deles foi inspirado nos filhos e netos?

Os personagens nasceram da observação de todas as crianças e, principalmente, da criança que eu fui e que ainda mora em mim. Eu tenho 65 anos, mas eu tenho 2 anos, 3 anos, 5 anos, tudo que eu fui eu ainda sou.

Você recebe muitas cartas dos seus leitores, o que eles dizem?

Tem algumas tristes: “Pedro, o meu pai me bate muito o que eu faço?”. Outras engraçadas: “Pedro, eu quero uma bicicleta vermelha”. O mais gostoso é ouvir: “Pedro, eu não gostava de ler e, a partir deste livro, eu estou gostando.” Eu acho que eu, Ruth Rocha, Ana Maria Machado, nós somos os primeiros degraus da criança, fazemos uma literatura de introdução à literatura.

O que você diria para um leitor que está indo para a Flipinha?

Que ele participe da contações de histórias, que converse com os autores e que aproveite para ler e descobrir boas histórias. Eu acho que vai ser muito mais divertido para as crianças lá.

   


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