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Quinta-feira, 8 fevereiro de 2007   edições anteriores
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  Macarrão ao sugo? Eca!

Os integrantes do grupo Organ Meat Society já provaram de quase tudo, de tripas a testículos. Eles contaram suas estranhas experiências e revelaram sua admiração pelo chef Fergus Henderson. No Brasil, nordestinos e mineiros fazem a festa com as vísceras

Michelle Alves de Lima

Para conhecer o grupo americano Organ Meat Society, é preciso ter estômago. Se você gosta apenas de macarrão ao sugo, portanto, é melhor nem ler esta matéria até o fim. Formado há oito anos, o OMS reúne-se para procurar e devorar miolos, fígados, pulmões, rins, tripas, testículos (e até seu habitual acompanhante). Eles, evidentemente, ficariam enojados se você pedisse um simples prato de massa com molho de tomate.

Os encontros do grupo são esporádicos e a busca costuma acontecer nos arredores de Manhattan - mas está nos planos dos cerca de dez integrantes ir a Londres para conhecer o restaurante St. John, do expert no assunto, Fergus Herderson.

O sabor definido e a textura desses ingredientes diferentes atraíram a designer industrial Melissa Easton ao OMS. Foi na França, onde passou a infância, que ela aprendeu a comer miúdos. 'Meus pais acreditavam que eu deveria provar de tudo pelo menos uma vez antes de decidir que não era bom', conta ela, que não se arrepende de nada que comeu - nem dos testículos de carneiro que estavam cozidos demais. 'Foi uma pena', lamenta. 'Eu amo essas comidas, mas elas devem ser preparadas por um bom chef.'

A editora Marisa Bowe não deixou o grupo nem depois de provar olhos de carneiro, que considerou 'nojentos'. Como os outros membros do grupo, ela se arrisca; mas como as pessoas que não têm um gosto tão peculiar quanto o deles, ela faz restrições a alguns pratos. 'Eu não gosto de tudo', diz. Marisa acha, por exemplo, que o coração é um músculo muito rígido e não faz questão de comer rins. 'Mas o resto eu como porque amo o sabor e a textura que eles têm', justifica ela, que é obcecada por miolo de bezerro. 'Para comê-los, você precisa estar em um país onde não exista a doença da vaca louca', adverte.

O jornalista Daniel Okrent, que trabalha no New York Times, também faz parte do OMS. 'Minha paixão pelos miúdos vem da idéia de que devemos provar tudo o que é comestível', conta. Isso inclui rins de vitela, pâncreas e cérebro de bezerro. Okrent cita o Babbo, restaurante do afamado chef Mario Batali, em Nova York. 'Ele é um gênio dos miúdos. Certa vez, ele fez um menu com sete pratos diferentes de órgãos.' Robert Sietsema, crítico gastronômico do Village Voice e outro membro do OMS concorda: 'O Mario sempre fez bem miúdos. No Casa Mono (outro de seus restaurantes) ele também serve crista de galo'. E qual o melhor lugar para comer esse tipo de comida? 'Em uma churrascaria brasileira! Estive em São Paulo há dez anos, e meus primos me levaram a um rodízio, onde eu comi corações de galinha maravilhosos', recorda-se Okrent.

   


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