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A luta para voltar ao grupo de elite
Três escolas locais sonham com vaga; rebaixamento motiva positivamente Barroca e Imperador
Três escolas da região ainda prometem fazer bonito para chegar à elite do samba paulistano. A Barroca Zona Sul e a Imperador do Ipiranga, que caíram para o Grupo de Acesso, e a União Independente da Zona Sul, que subiu para o segundo turno de desfiles. "A queda serviu para a comunidade ficar mais unida. A gente sabe que errou no ano passado, mas não abaixamos a cabeça. Ficamos mais fortes e motivados", diz o presidente da Barroca, Geraldo Sampaio Neto, o Bojão.
No barracão da escola, é possível perceber a garra e a motivação do pessoal. "Ficamos mordidos com o rebaixamento. Alimentou o nosso ego a ponto de preparamos um carnaval para sermos campeões do Grupo de Acesso e voltar com a cabeça erguida", diz o diretor de carnaval, Ivan Carlos Silva de Oliveira. Ele quer que a Barroca levante o público no sambódromo, sobretudo com a ala bate cabeça. "São notórias a energia e a garra da comunidade nos ensaios. Vamos dar a volta por cima." O carnavalesco Babu Energia ainda lamenta o resultado do ano passado. "Pensei que estaria fora da escola. Para minha surpresa, a direção decidiu me deixar como carnavalesco."
Babu mudou sua produção de carnaval. Ele sempre fez trabalhos com materiais alternativos e recicláveis. Com o tema No balançar dos balangandãs, a escola pretende agora homenagear Carmem Miranda sem medir gastos. "A pequena notável virá com toda a grandiosidade. É um enredo luxuoso, que vai abusar das cores, brilhos e muito ouro. Luxo do começo ao fim."
Segundo ele, será a primeira vez que Carmem Miranda terá a homenagem de uma escola de São Paulo. Na avenida, será encenada a trajetória da artista desde a chegada, aos 11 meses, no Brasil. Os carros falarão de sua explosão nacional e dos shows no Cassino da Urca, que motivaram os produtores americanos a levarem Carmem para os Estados Unidos. "Ela é uma figura marcante e guerreira. As pessoas se esquecem da história e o carnaval dá a oportunidade de a gente resgatar as pessoas e expressar as verdades da vida", afirma Babu.
A Imperador do Ipiranga aposta no Nordeste, com o enredo O Sertão Não Virou Mar, Virou Pomar. A idéia é falar de um tema que causa polêmica no cenário político brasileiro: o projeto de transposição do Rio São Francisco. "Vamos falar do sofrimento do sertanejo e da fé na espera de um milagre. Vamos dar esperança para os nordestinos", diz o carnavalesco, Carlos Negri.
Com cerca de 1.800 componentes, divididos em 15 alas e 4 carros alegóricos, o desfile da Imperador promete muitas surpresas. O destaque será a comissão de frente e o carro abre-alas. "O Diabo da fome vem na comissão de frente, com o sol rachando o chão. No decorrer do desfile, os nordestinos pedem clemência para que o Rio São Francisco traga peixes. Por meio de uma brincadeira, a escola pretende que o público e o País tenham um olhar para os problemas dos nordestinos."
Negri também acredita no sucesso do último carro. "Será uma sensação. Uma grande abelha, trazendo uma colméia, ressaltando uma característica pouco conhecida do Nordeste, a de produtor de mel orgânico, outro produto de exportação brasileira." Ali estarão 50 crianças, que antes desfilavam no chão. "Vamos pedir ao Papai do Céu muita ajuda para a escola voltar para o lugar de onde nunca deveria ter saído."
VENENO
Já a União Independente da Zona Sul aposta no enredo Doce Veneno. A agremiação vai retratar o veneno desde o antigo Egito, passando pela mumificação e Cleópatra, até os venenos de cobras, aranhas e escorpiões. O destaque também ficará para o carro abre-alas, que retratará o antigo Egito.
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